O Infarmed publicou um novo dossiê temático dedicado aos cuidados a ter com medicamentos durante viagens ao estrangeiro. O documento reúne recomendações para ajudar os viajantes a preparar a deslocação, garantir a continuidade dos tratamentos e evitar problemas relacionados com o transporte e utilização de medicamentos fora de Portugal.
Preparação antecipada
A preparação deve começar, idealmente, duas a três semanas antes da partida, ou mais cedo se o destino tiver requisitos sanitários ou aduaneiros específicos.
É importante confirmar com o médico assistente se o seu estado de saúde é compatível com a viagem pretendida. Deve também calcular a quantidade de medicamentos necessária para todo o período de estadia e levar uma quantidade adicional suficiente para fazer face a eventuais atrasos ou imprevistos. Antes de partir, verifique se todos os medicamentos permanecem dentro do prazo de validade até ao final da viagem.
Documentação recomendada
Para facilitar a passagem pelas fronteiras e eventuais controlos, é aconselhável transportar:
- Receita médica ou cópia da receita eletrónica atualizada;
- Declaração ou relatório médico, preferencialmente em inglês ou na língua do país de destino, identificando o doente, a medicação prescrita, as doses e a necessidade de eventuais dispositivos médicos, como seringas ou agulhas;
- Uma lista dos medicamentos utilizados, identificados pela Denominação Comum Internacional (DCI), uma vez que os nomes comerciais podem variar entre países.
Transporte e armazenamento
Se viajar de avião, os medicamentos essenciais devem ser transportados na bagagem de mão, evitando a interrupção do tratamento em caso de extravio da bagagem de porão. Sempre que possível, os medicamentos devem permanecer nas embalagens originais, acompanhados dos respetivos folhetos informativos, facilitando a sua identificação pelas autoridades.
Se viajar de carro, nunca deve deixar os medicamentos no seu interior. O interior de um automóvel pode rapidamente atingir temperaturas que os poderão comprometer (consultar o dossiê temático “Medicamentos e calor”).
As temperaturas extremas podem ter efeito na eficácia dos medicamentos, por isso é essencial manter as condições de armazenamento corretas durante a viagem. Deverá verificar os requisitos de armazenamento dos medicamentos, confirmando se devem ser conservados no frio (entre 2 a 8 °C). Neste caso, devem ser transportados num saco isotérmico refrigerado, mas evitando a sua congelação. Na ausência de referências especiais de conservação, a conservação à temperatura ambiente prevalece (esta refere-se ao clima continental).
Em viagens que impliquem atravessar vários fusos horários, poderá ser necessário ajustar o horário das tomas. Este ajuste deve ser efetuado com aconselhamento médico, sobretudo em tratamentos como a insulina, anticoagulantes ou medicamentos antiepiléticos.
Verificar a legalidade dos medicamentos no destino
As regras relativas aos medicamentos e ao seu transporte variam significativamente entre países. Alguns fármacos autorizados e habitualmente utilizados em Portugal podem estar sujeitos a restrições, controlo apertado ou mesmo não estar autorizados noutros países.
É aconselhável contactar a embaixada ou o consulado do país de destino e consultar as autoridades de saúde locais antes da partida.
Poderá, ainda, e para mais informação sobre outros cuidados a observar antes de viajar para outro país, aceder ao portal das comunidades portuguesas, do Ministério dos Negócios Estrangeiros.
Alguns exemplos de restrições internacionais
- A dipirona (metamizol) não está autorizada ou comercializada em países como os Estados Unidos, o Reino Unido, o Japão e a Austrália.
- A nimesulida encontra-se retirada ou sujeita a restrições em vários países devido ao risco de lesão hepática.
- Alguns países, como a Índia, o Paquistão e a Turquia, aplicam regras rigorosas ao transporte de determinados medicamentos psicotrópicos.
- As anfetaminas e alguns medicamentos que as contenham podem ser consideradas substâncias ilegais ou altamente controladas em países como a Arábia Saudita.
- Alguns medicamentos contendo pseudoefedrina estão proibidos ou sujeitos a fortes restrições no Japão.
- Os Emirados Árabes Unidos possuem uma das regulamentações mais rigorosas do mundo em matéria de medicamentos controlados. Dependendo da substância em causa, poderá ser necessário apresentar receita médica, relatório clínico e, em determinados casos, obter autorização prévia das autoridades de saúde do país.
Medicamentos líquidos na bagagem de mão
Embora os líquidos transportados em cabine estejam geralmente sujeitos ao limite de 100 ml por recipiente, os medicamentos líquidos necessários durante a viagem podem beneficiar de isenções. Para esse efeito, recomenda-se transportar documentação médica que justifique a sua utilização e informar previamente os agentes de segurança aeroportuária, para que os produtos sejam inspecionados separadamente, se necessário.
Transporte de insulina e viagens longas
A insulina nunca deve ser colocada na bagagem de porão, uma vez que as temperaturas extremas podem comprometer a sua eficácia.
- Os frascos ou canetas de insulina não utilizados devem ser conservados de acordo com as instruções do fabricante, geralmente sob refrigeração.
- A insulina em utilização pode permanecer à temperatura ambiente durante um período limitado, dependendo da marca e das recomendações específicas do fabricante.
- Recomenda-se a utilização de bolsas térmicas ou estojos isotérmicos, evitando o contacto direto da insulina com gelo ou acumuladores de frio.
- O transporte de agulhas e seringas é normalmente permitido quando devidamente justificado por documentação médica.
Antes de viajar, informe-se sempre sobre as exigências específicas do país de destino, sobretudo se utiliza medicamentos sujeitos a controlo especial ou se transporta dispositivos médicos.
Aquisição de medicamentos no estrangeiro
Se necessitar de adquirir medicamentos no estrangeiro, é importante ter em consideração:
- O mesmo nome comercial nem sempre corresponde à mesma composição de princípios ativos ou à mesma dosagem;
- Em alguns países existe um maior risco de circulação de medicamentos falsificados;
- Para garantir a sua segurança, os medicamentos devem ser adquiridos apenas em farmácias ou estabelecimentos autorizados, devendo ser evitada a compra em mercados abertos ou a vendedores de rua;
- Após o regresso, informe o seu médico sobre qualquer medicação adquirida no estrangeiro.








