Inteligência Artificial já faz parte do dia a dia dos comunicadores, mas formação e regras não acompanham a sua adoção

Quase metade dos profissionais de comunicação e relações públicas em Portugal utilizam ferramentas de Inteligência Artificial (IA) diariamente e mais de 90% afirmam ter algum nível de familiaridade com estas tecnologias. Ainda assim, a rápida adoção da IA no setor não está a ser acompanhada por formação qualificada nem por políticas internas claras, levantando desafios éticos e operacionais relevantes para os profissionais e para as organizações.

Estas são algumas das principais conclusões do relatório “Profissionais de Comunicação e Relações Públicas & Inteligência Artificial” (2025), um estudo desenvolvido pelo Observatório Social para a Inteligência Artificial e Dados Digitais da Universidade Nova de Lisboa, com base em 123 respostas de profissionais de agências de comunicação e de departamentos corporativos.

O relatório evidencia uma lacuna significativa entre a utilização intensiva da IA e o nível de maturidade organizacional na sua integração. Apesar da elevada adoção destas tecnologias, muitos profissionais referem a inexistência de orientações formais, códigos de conduta ou estratégias estruturadas para o seu uso no contexto profissional.

Entre as principais conclusões do estudo destacam-se:

  • Adoção elevada, maturidade baixa, com utilização frequente de IA sem um enquadramento estratégico consistente;
  • Falhas na formação e nas políticas internas, que deixam os profissionais sem apoio claro para uma utilização responsável;
  • A ética como preocupação dominante, sobretudo em questões relacionadas com transparência, autoria, confidencialidade e fiabilidade da informação;
  • Uma oportunidade estratégica para o setor, que poderá beneficiar significativamente da IA se investir em capacitação e boas práticas.

 

O estudo sublinha que a Inteligência Artificial representa um potencial transformador para a Comunicação e as Relações Públicas, mas alerta que o seu impacto positivo dependerá da forma como estas tecnologias são integradas nas organizações, com um destaque claro na ética, na literacia digital e na definição de regras e orientações transparentes.

 

O relatório completo pode ser consultado aqui 

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